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20.07.2019 COSTAPE:

 Etapa 9A

 Sesimbra - Setúbal  30 kms

Sexta-feira, 19 de julho:

 

Mais uma etapa com companhia, sorte a minha. Encontro-me em Sete Rios com a Hortense, que já tinha feito uma etapa comigo, para apanharmos o comboio até Corroios. Mais uma vez, somos recebidos pelos amigos do Grupo Desportivo Unidos do Arco da margem sul. Depois de bebermos umas cervejas na sede do clube, com o Franclim e o Carlos Faria, vamos até à Casa da Elvira. Conversamos e petiscamos, eu, a Hortense, a Elvira e o marido, o Louro, que entretanto se juntam a nós. Ficamos jantados. Agradeço a hospitalidade, sempre com uma grande simpatia este casal. Deitamo-nos cedo para estarmos prontos de madrugada.

Despesas: Comboio Lisboa-Corroios - €2,75

 

Sábado, 20 de julho: Sesimbra – Setúbal, 30 kms

 

Às 6h30 da manhã estamos prontos. Como voltarei para dormir novamente em casa da Elvira, levo uma mochila pequena com material mais seletivo para percorrer a Serra da Arrábida. A Hortense, sempre bem-disposta, está ansiosa por começar. O Carlos Faria leva-nos até Sesimbra, mas antes passamos na estação de Corroios para irmos buscar a Elsa Mendonça, que tinha apanhado o comboio em Setúbal e chega radiante por estar connosco. Os transportes nesta zona são escassos e têm um horário um pouco tardio durante o fim de semana.

A boleia é perfeita. Em 25 minutos, estamos em Sesimbra, onde nos esperam o António Carvalho, o Luís e a Idalina, também eles já repetentes. A Elsa é a estreante. Depois de um café, iniciamos a subida da encosta sul de Sesimbra. Um carreiro bem pisado, em serpentina, que nos leva até ao alto junto da estrada nacional. À medida que subimos, a paisagem torna-se majestosa, uma vista magnífica sobre o mar.

Guiando-me pelo GPS, seguimos em fila indiana, o caminho ladeado por arbustos robustos e agressivos ao contacto não dá para mais. Pequenas clareiras abrem acessos a miradouros feitos por quem ali passa para tirar fotos à imponência das falésias da serra do risco.

O dia está limpo e corre uma ligeira brisa, contrastando com trilhos mais resguardados onde se sente um calor sufocante. Lá em baixo, umas ruínas, possivelmente ligadas à arte da pesca de outros tempos. Já num estradão junto à pedreira, andamos mais em linha e a falar, entre todos, de coisas banais mas principalmente de locais visitados e de comida. Damos a volta pelo vale para evitar a serra do risco, que apesar de ter caminho este é um pouco penoso para quem faz uma distância destas mais longas.

Paramos para comer qualquer coisa. A Hortense já está a precisar de alimentos, pois já levamos três horas de caminhada. O resto do pessoal vai bem. A Elsa evoluí com muita calma, para ver se consegue chegar ao fim. Vai a apalpar o terreno. A comida não me cai muito bem, sento-me um pouco inchado e desconfortável.

O trilho começa a descer e a ficar tapado por arbustos. Estou abafado e não dá para estar ali muito tempo a verificar se existe continuidade. A opção é seguir outro caminho, quase vertical, com alguns obstáculos pelo meio, como árvores tombadas. O António vai na frente, eu mais para trás e com dificuldades em respirar. É o troço mais difícil até agora, quase que os pulmões me saltam pela boca.

O Luís e a Idalina fazem-me companhia, não está a ser fácil. Já no alto, na nacional, vou recuperando aos poucos. Mas o esforço deixara marcas em mim. Vamos pela estrada em direção ao Portinho da Arrábida, sempre com atenção aos carros. Estou deserto de parar um pouco e beber algo doce, sinto-me fraco. Para agravar as coisas, um desafio acrescido que vale a pena: descer até à Lapa de Santa Margarida.

Se descer já custa, começo a fazer contas ao esforço para subir. Sento-me junto ao Altar e o silêncio apodera-se de mim. Como umas barras de fruta e admiro a mística do local. A água do mar azul cristalina, só apetece mergulhar. Já lá em cima, depois de subir umas centenas de degraus, descanso um pouco. O movimento é intenso. Os automóveis têm que ficar afastados das praias. Logo, todos se deslocam a pé um bom bocado.

Avançando mais um pouco, numa das esplanadas da praia do Creiro está o bem conhecido, e companheiro destas andanças, António Araújo, que faz uma grande festa ao ver-nos. Também ele tinha ido fazer uma caminhada com um grupo e estava ali no convívio. Mais à frente, outro companheiro que não via há quase 10 anos, o Vicente. Acompanha-nos por uns quilómetros, sempre muito alegre e bem-disposto.

Estamos a caminhar pela estrada que passa em todas aquelas praias espetaculares e paradisíacas. Já nem me lembrava como aquela zona é lindíssima. É boa ideia acabarem com a circulação de carros naquela via, o perigo vem agora das motas que passam velozmente.

À nossa direita, mantém-se o paraíso de praias lindas de morrer e uma delas considerada uma das mais bonitas da Europa, Galapinhos. A Elsa acusa um pouco a distância e precisa de parar para comer. A Hortence caminha com calma, no seu passo certo, o António, recém-chegado de Santiago, vai cheio de ritmo. O Luís segue descontraído, mais a Idalina, a fazer-me companhia. Ainda paramos na Comenda para um reforço alimentar, já falta pouco. À entrada de Setúbal, o Vicente presenteia-nos com uma paragem técnica para bebermos umas cervejas tipo caneca que sabem que nem gingas. Muito rimos e conversamos de antigas caminhadas, do tempo em que uma caminhada de 40 quilómetros era coisa rara.

O tempo passa. Depois de uma despedida calorosa, cada um segue para o seu destino. O Vicente leva o António, o Luís e a Idalina a Sesimbra. Uns amigos do António dão-nos boleia até à estação do comboio, a mim e à Hortense. Por sinal uma viagem curta mas cheia de adrenalina. A Elsa está em casa, com ar fatigado mas satisfeita por ter terminado, tal como todos nós. Regressei a Corroios novamente para passar a outra noite em casa dela de Elvira.

 

Despesas: alimentação - €25; Comboio Setúbal-Corroios - €4

 

PPimenta

Video:

Trak:

Participantes:

Pimenta

 Cronica de Março  do Projeto Costapé2019.

Galeria 9A

Grande Caminhada de 1.200 kms pela costa Portuguesa

com cheiro a mar!...

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