Apoios:

transferir.jpg
43820694_248713309155880_504789902890631
IMG_20181214_181655.jpg
logo_400x400.png
logo.jpg
Imagem3.jpg
ebeb.JPG
Capturar.JPG
images.png
Imagem1.jpg
ABC SAUDE_logo novo.jpg
49459897_2184913991533531_30740439092030
  • White Facebook Icon

 Cronica de Março  do Projeto Costapé2019.

images.jpg

Etapa 11a:

Sábado, 21 Setembro:  Porto Covo - Almograve 38 kms

Sexta-feira, 20 de setembro:

Finalmente a preparar-me para a Rota Vicentina. À partida, sabia que iria ser um fim de semana espetacular. Vou de malas e bagagens para o trabalho, em Lisboa. Todos lá sabem o que ando a fazer, mas não é normal andar no serviço de botas e calções, com ar de turista de rua. O expresso para Porto Covo parte às 16 horas de Sete Rios. Muita gente na gare a ir de fim de semana. Vou boa parte da viagem de duas horas a dormir. Ao meu lado vai um italiano, estranhamente calado. Os expressos são sempre pontuais. Às 18h estou a chegar onde tinha ficado na etapa anterior.

Há muitos anos que não venho a Porto Covo. Está completamente transformado. Tenho reserva num alojamento local, com beliches mistos. A estada não justifica muita comodidade. Ao chegar à porta, aparece também um casal de italianos e uma pessoa de bicicleta, simpática. À primeira vista, não dá para ver se é rapaz ou rapariga. Escolho a cama de cima do beliche e percebo que é uma mulher. Pela voz e pelos tiques percebe-se que é bem-disposta.

Depois de fazer o check in e o check out, dou uma volta até ao mar, à procura do por do sol. Há algumas nuvens no horizonte a cobrir o céu e o Sol. Mau presságio para amanhã: prevê-se temporal. Aos poucos, o tempo vai dando sinais de instabilidade. Tiro umas fotos e procuro um restaurante bom e barato, com comida caseira, de seu nome Café Central. Por sinal, fica afastado do centro uns bons 400 metros. Peço bife de peru e vinho.

Qual não é o meu espanto quando vejo entrar a jovem da bicicleta. Convido-a para a minha mesa e ela aceita, toda sorridente. Podem acreditar em química. Falamos tanto e rimos como se o tempo fosse acabar. Ela sabe o meu nome e eu só pergunto o dela uns 20 minutos depois: Aida Delhom, uma mulher da Catalunha, 38 anos, bibliotecária. Manda vir peixe e água, e cada palavra cada risada, o comer no prato a arrefecer. Digo-lhe para falar em espanhol, mas ela esforça-se por continuar português e, por vezes, as palavras não saem. Conta que tirou umas pequenas férias, mandou a bicicleta por correio até Lisboa e começou a descer a costa portuguesa em direção ao sul. Não vou esconder que estava encantado. A jovem transbordava alegria, sorrisos, superdivertida e genuína. Parecíamos duas crianças. Ela falava das férias e aventuras e eu do meu projeto COSTAPÉ, que a deixou entusiasmada.

Para desmoer o jantar, damos um passeio até ao mar. Diz-me que está preocupada com a chuva, pois não veio muito preparada para ela. De regresso ao alojamento local, despedimo-nos e cada um vai à sua vida e à sua aventura. Realmente, às vezes encontramos pessoas extraordinárias. Aida está feliz com a vida e tem a vida toda pela frente. Apaixonada por livros e viagens, faz as coisas à sua medida. Um bem-haja para ti Aida, que a vida te sorria sempre também.

 

Despesas: Transporte - €16,40; Jantar - €13; Dormida - €18

 

 

Sábado, 21 de setembro: Porto Covo – Almograve, 35 kms

Desperto às 5 da manhã e desço o beliche com muito cuidado, porque as escadas fazem doer a palma dos pés. Pego no material e vou direto à cozinha, no rés-do-chão, para evitar barulhos. Preparo-me com calma, uma tijela de Nestum ao pequeno-almoço. Na rua, ora pingava, ora não. E eu vou espreitando pelo terraço para ver há meio de o sol raiar, mas é muito cedo.

 

Ao sair da cozinha, estão já duas caminheiras estrangeiras a porem a mesa e a prepararem a comida. Bom, mochila às costas, abro a porta e faço-me ao caminho e ao tempo agreste. Está combinado começarmos às 7 horas da manhã, junto à igreja de Porto Covo. Chegamos todos ao mesmo tempo, que engraçado. Uns de Lisboa, outros de Almograve, conseguimos partilhar alguns transportes, sacrificando algumas horas de sono. O Luís Santos, que tinha ido de véspera para Almograve e ficado na Pousada da Juventude, chega de táxi com o Aníbal Matos, que tinha ido ter com ele de madrugada. Aparecem também o Luís Medeiros e a Idalina, o Joaquim Gomes e a Sónia Rocha. Sabe bem beber um café às 7 da manhã. De todos, só o Luís Santos irá acompanhar-me durante todo o fim de semana.

Iniciamos pela Rota Vicentina. Areia e dunas para começar. Céu cinzento, temperatura amena, mas a chuva vai caindo de vez em quando. A minha mochila vai pesada. A vista a Ilha do Pessegueiro acompanha-nos. Somos sete ao todo e apenas o Luís é estreante. Excelentes companheiros, bem-dispostos e valentes. A areia é uma constante, no caminho desde a praia da ilha do pessegueiro até ao forte com o mesmo nome. Como as portas estão abertas, entramos. É uma desolação ver tudo abandonado. Tanta história e tanto trabalho para estar tão degradado. O que pensarão os estrangeiros? Uma vista soberana sobre a ilha e para o mar.

 

Muitas autocaravanas, algumas de fazer inveja, num desejo de passar assim os últimos anos de vida. A chuva vai e vem, é um tira e põe de impermeáveis. Vamos andando entre as dunas, às vezes em terreno mais firme, mas quase sempre na areia mole.

Paramos na Praia do Malhão para comer qualquer coisa. Estamos todos satisfeitos, é um caminho espetacular, duro mas sempre à beira do mar. Sigo sempre bem acompanhado, uma vezes mais a frente do grupo, outras mais atrás. Os cortes nas pedras das falésias parecem feitas pelo homem. O Luís Santos anda de um lado para o outro a tirar fotos e a ver os recantos, já tinha saudades de fazer caminhadas.

Já começo a pensar em chegar a Vila Nova de Mil Fontes. Tenho em mente a travessia do Rio Mira num barco táxi para a outra margem. Damos algumas voltas e nada, hoje não há barco. Desilusão. O percurso vai ser bem grande para o outro lado do rio. Sentamo-nos numa esplanada, com autorização do restaurante O Morais, mesmo frente ao Forte São Clemente. Bebemos umas cervejas e petiscamos umas quiches deliciosas que a Sónia trouxe e tapas da Idalina. Enfim, hora de almoço. Descansamos e comemos quase durante uma hora. É hora de continuar em direção à ponte sobre o Mira.

Andamos mais uns quatro quilómetros e demoramos mais uma hora do que se atravessássemos de barco. Vamos em direção à Praia das Furnas. O caminho está todo bem marcado. Tudo muito bonito, até que começa a desviar mais para o interior. Passamos por campos onde há relva semeada e logo alguns de nós aproveitam para rebolar.

O trilho torna-se um pouco mais estreito devido à vegetação, muito diferente de tudo o que tínhamos visto até agora. O Luís Medeiros e o Santos avançam um pouco. Eu já estou um pouco moído. As costas e os pés ressentem-se de tanta areia. Para agravar, começa a chover com muita intensidade, com trovoada à mistura. Quase uma hora debaixo de chuva e vento forte. Ainda por cima, estou de calções e manga curta, até sinto picadas. É granizo, felizmente por pouco tempo. Como já vou um pouco cansado e ensopado, nada sinto, nada temo.

A Sónia e a Idalina fazem-me companhia e mais à frente juntamo-nos aos restantes, igualmente ensopados. Tempo para a foto da praxe, junto à tabuleta da localidade: Almograve, o nosso ponto de chegada por hoje. Uma vez na Pousada da Juventude, a Sónia, a Idalina, o Luís Medeiros e o Joaquim voltam no carro do Aníbal para Porto Covo. Já eu e o Luís Santos ficamos por aqui, para o check in e o merecido banho. Os quartos são confortáveis: desta vez, dormo sozinho e tenho duas camas. Jantamos cedo, num restaurante simples e rápido, o Sabores do Mar. Canja e uma dose de arroz de polvo para os dois. Muito bom. Ainda tento secar alguma roupa no aquecedor antes de adormecer.

 

Despesas: Jantar - €10; Dormida - €35; Outras - €10

 

 

 

Galeria 11A

Video:

Trak:

Participantes:

PPimenta

Grande Caminhada de 1.200 kms pela costa Portuguesa

com cheiro a mar!...

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now