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 Cronica de Março  do Projeto Costapé2019.

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Etapa 11b:

Domingo, 22 de Setembro: Almograve - Odeceixe 37 kms

Encontramo-nos no corredor à hora certa, eu e o Luís. O pequeno-almoço é servido às 6h30, no refeitório da Pousada. O empregado põe tudo à nossa disposição, para estarmos à vontade. Na verdade, quase que almoçamos: sandes, bolo, sumo, café com leite, café...

Espreitamos pela porta para ver como está o tempo. O céu parece limpo, mas ainda escuro. À medida que caminhamos em direção à praia, o dia vai clareando. O sol espreita, mas não nasce por causa da altura das dunas. As poucas nuvens dão-nos esperança de um ótimo dia para caminhar, e percorrer um dos mais bonitos troços da Rota Vicentina. Adoro ver o mar de madrugada e o sol a conquistar a areia, num tom avermelhado. São coisas que não vemos todos os dias.

Seguimos em bom ritmo. Hoje vou mais leve, porque deixei algumas coisas no carro do Luís. Esta etapa é mais acidentada e cheia de precipícios, ravinas de autênticos monumentos esculpidos pela natureza. Cada clareira onde pode ir uma viatura, lá estão as autocaravanas, com vista para a linha do horizonte mal se acorda.

Ao princípio, ainda apanhamos alguma areia e um pinhal. Apesar de não estar muito calor, as sombras das árvores sabem bem. O Luís Santos não pára. Procura sempre os caminhos mais à beira das falésias para umas belas fotos. Eu, no meu passo, já é a terceira vez que faço este caminho e tento seguir as marcações. Funciono como um ponto de referência para ele, que assim tem a noção da direção a tomar.

Paramos em Cavaleiro para comer e beber no conhecido Café da Adélia, que se situa num local estratégico para quem faz esta rota a pé. Aliás, olhamos para a montra e até tem bananas, fruta que um caminheiro costuma ingerir nestas ocasiões. Está tudo bem estudado. Continuamos a tirar fotos e só uma nos faz virar para terra: a do farol do Cabo Sardão.

 

Espetacular a Praia do Cavaleiro, com um acesso algo difícil, mas com um mar de uma beleza única. As formações geológicas lembram um braço a entrar mar adentro, e o Luís foi quase até à ponta. Um à parte, revelador do estado de espírito de total liberdade em comunhão com a natureza, é o filho de um casal estrangeiro, a brincar numa poça de lama, semivestido, como se estivesse na banheira, e a mãe, descansada, a olhar por ele, a apreciar a felicidade da criança a chapinhar.

De seguida deparamos com um trilho que antigamente era mais técnico. Agora já tem uma escada, o que ajuda muito, principalmente quem vem de sul carregado. Porto das Barcas, uma enorme reta numa eco pista até à Zambujeira do Mar, é que é um martírio sem fim.

 

Procuramos na Zambujeira um local para comer algo ligeiro. Andamos às voltas, pois os restaurantes são muito formais para o que queremos. Lá nos sentamos numa esplanada mesmo frente à praia. Localidade bonita, com uma praia lindíssima. Passado quase uma hora, iniciamos o que seria o último troço até Odeceixe. Bem mais acidentado, com trilhos mais técnicos, passamos pela casa da Amália e descemos a praia com o mesmo nome. Um espetáculo. Por nós passam imensos caminheiros e caminheiras, aos pares, sozinhos, casais novos e velhos com mochilas enormes de 70 a 80 litros, com tenda. Para eles deve ser um verdadeiro paraíso esta costa.

Pelo caminho também vemos “cascatas” provenientes de furos nas herdades agrículas. Vemos raparigas, bastante carregadas, a transpor subidas muito técnicas. Eu e o Luís até paramos para ver se as coisas correm bem – e correm mesmo. Grandes doidas. Parecem mulas a subir um monte no Nepal. Admirável não só a paisagem mas também todos os que entram nela.

Última paragem em Azenhas do Mar. Mais uma bebida, nesta localidade piscatória que fica a poucos quilómetros do fim. Mais uma subida e uns trilhos acidentados, e umas fotos fantásticas. O Luís já está moído e cansado, mas cheio de grandes imagens que a sua memória irá reter por muito tempo.

 

Telefono para o táxi a acertar a hora de chegada a Odeceixe. Estamos dentro do tempo. Finalmente, o miradouro que nos dá uma vista panorâmica sobre a Praia de Odeceixe. Fazemos uma grande festa. Finalmente, depois de mais de 35 quilómetros, a meta está ali. Mais uma volta até chegar ao Rio de Seixe, e o Luis desce a correr como um adolescente com a alegria estampada no rosto. Descalços, passamos o rio para a outra margem. A frescura da água sabe bem, os dedos dos pés finalmente a respirarem.

O encontro com o táxi da Dona Fatima é mais acima, numa zona onde as pessoas param e abraçam-se ao por do sol. Pouco depois de chegarmos, pelas 18h30, lá está ela, a fixar-nos o olhar de quem conhece o tipo de cliente. De regresso a Almograve, num trajeto de quase 40 kms, a Dona Fátima conta histórias. Tantas que a viagem passa depressa. Muito simpática. Deixa-nos na Pousada da Juventude em Almograve, tomamos um banho e jantamos no mesmo restaurante do dia anterior.

Regressamos a Lisboa no carro do Luís. Fico na Gare do Oriente e despeço-me do meu excelente companheiro. Apanho o último comboio para o Entroncamento e chego a casa às 3 da manhã. É chegar e deitar, que às 7 já terei de estar de pé, pois há outra vida para lá das caminhadas.

Agradeço a todos os que me acompanharam neste longo fim de semana.

 

Despesas: Táxi - €40; Jantar - €10; Outras - €15

 

 

Galeria 11B

Video:

Trak:

Participantes:

PPimenta

Grande Caminhada de 1.200 kms pela costa Portuguesa

com cheiro a mar!...

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